15 de maio de 2014

'Fingi ser gari por 1 mês e vivi como um ser invisível'

Um psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'Invisibilidade Pública'. 
Ele comprovou que as pessoas enxergam apenas a função social do outro. 
Quem não está bem posicionado dentro da sociedade, vira uma sombra social.

O psicólogo vestiu uniforme e trabalhou um mês como gari, varrendo ruas da Universidade. 
Constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'.
Ele trabalhava apenas meio período, mas garante que teve a maior lição de sua vida: 
'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o psicólogo.

Ele sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 

Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, esbarravam no meu ombro, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste. 
Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. 
Mudei muito, nunca mais deixei de cumprimentar um trabalhador braçal.
Faço questão que ele saiba, que eu sei que ele existe. 
Muitas vezes eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. 
São tratados como se fossem uma 'COISA'.

*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!
          Da próxima vez que você tiver oportunidade, dê um bom dia para o gari.



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