19 de junho de 2012

O erudito no fundo do poço.


Certa noite muito escura e fria, enquanto caminhava para casa um homem muito humilde e simples
ouviu um gemido estranho que vinha do fundo de um poço.
Sentindo muito medo passou correndo pelo poço sem olhar para trás, achando que aquilo poderia se tratar de alguma assombração perdida nas sombras da noite.
Conforme caminhava rápido sentia que aqueles gemidos começavam a se transformar em gritos de socorro.
Com a consciência pesada e curioso, voltou alguns metros e começou a ouvir perfeitamente a voz de alguém que dizia:
- Por favor, quem estiver passando aí em cima, quem ouvir a minha voz, meu pedido de socorro, estenda uma corda a este pobre erudito, que meditando pelos caminhos desta  noite fria, procurava a verdade e o sentido da vida.
O homem simples disse-lhe:
- Ahhhh erudito! A verdade é que você caiu nesse poço e agora está todo molhado de água!”
- Ah, porque aumentar minhas misérias? Você fura meus tímpanos com pleonasmos infames!
Estudar tanto quanto estudei para ouvir tanta ignorância!”
Estou reconhecendo: você é José, o homem simples da aldeia.
Se estou na água só posso estar molhado José! Corrija-se por favor, e aprenda a falar.
- Você tem razão erudito, eu vou indo embora devagar, e quando aprender a falar, volto para te tirar do poço.

Fazer grandes e eloquentes discursos não é prova de sabedoria.
O homem simples, pacífico e amoroso, merece ser chamado sábio.
                                                                                                               
                                                                                                     Buda

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